Mais um maldito
Mais uma mal falada
Outra centena de línguas soltas
Outra leva de diarreia em enxurrada
Geni é Homem
Geni é Mulher
Geni sem gênero
Gêni e o Gênio
Taca bosta na Geni!
Taca merda na Geni!
Ela lava o cú e Sorri ...
Geni é o seu inferno
Geni sofre e sorri
Cospe! Geni é boa de cuspir!
artigo quinto, parágrafo IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
domingo, 26 de junho de 2011
quinta-feira, 23 de junho de 2011
formidável papo novo!- Rolando Vezzoni
Não tenho o hábito de escrever em primeira pessoa, talvez eu não queira me expor ou algo assim, mas agora isso é irrelevante, ainda porque estou feliz e levemente alcoolizado.
Acabei de voltar de um role formidável, não consigo descrever de outra forma, não fiz sexo, nem chapei, se é o que esperam, simplesmente conversei com dois amigos bem próximos sobre tudo, sobre os filhos que podem vir, se queremos ou não, se seriamos bons pais, se contaríamos que papai noel não existe, como as coisas funcionam, como os filósofos não chegam a lugar nenhum e como isso é frustrante e maravilhoso, como as amizades podem falir ou como podem durar, as coisas simples e as coisas complexas, falamos merda, passamos trotes, marcamos roles que não fomos, e chegamos àquele lugar algum que não esperávamos chegar mesmo, que sabíamos que não íamos chegar, que não queríamos chegar.
Depois de umas cervejinhas e um bom papo chego em casa, com uma gana de fazer algo que não sei por certo, comi um bom sanduíche nada a ver e brinquei com o cachorro.
Nada disso tudo que eu falei é relevante, agora me sinto uma pessoa boa, até peguei o osso de meu cachorro no quintal e trouxe para o quarto para ele ter o que fazer enquanto escrevo, me sinto assim por não ter a carga de ter de ser assim.
Daqui a alguns anos sei que vou lembrar de hoje, uma saída pouco pretensiosa, mas formidável.
Não quero chegar a lugar algum com essa crônica, pois se eu levar a algum lugar só a vou limitar, e também, não estou com vontade, afinal, ainda que esteja feliz, estou no balanço, pendendo prum lado e pro outro, após escutar um pink floyd na rádio com meus amigos floydmaníacos seguido de pistols, meu, eu não quero mais nada, também se quisesse tanto assim, não teria sido uma noite tão formidável, e foi.
* homenagem aos bons amigos, que são bons amigos por agora, o que é muito mais do que qualquer um poderia me dar.
Acabei de voltar de um role formidável, não consigo descrever de outra forma, não fiz sexo, nem chapei, se é o que esperam, simplesmente conversei com dois amigos bem próximos sobre tudo, sobre os filhos que podem vir, se queremos ou não, se seriamos bons pais, se contaríamos que papai noel não existe, como as coisas funcionam, como os filósofos não chegam a lugar nenhum e como isso é frustrante e maravilhoso, como as amizades podem falir ou como podem durar, as coisas simples e as coisas complexas, falamos merda, passamos trotes, marcamos roles que não fomos, e chegamos àquele lugar algum que não esperávamos chegar mesmo, que sabíamos que não íamos chegar, que não queríamos chegar.
Depois de umas cervejinhas e um bom papo chego em casa, com uma gana de fazer algo que não sei por certo, comi um bom sanduíche nada a ver e brinquei com o cachorro.
Nada disso tudo que eu falei é relevante, agora me sinto uma pessoa boa, até peguei o osso de meu cachorro no quintal e trouxe para o quarto para ele ter o que fazer enquanto escrevo, me sinto assim por não ter a carga de ter de ser assim.
Daqui a alguns anos sei que vou lembrar de hoje, uma saída pouco pretensiosa, mas formidável.
Não quero chegar a lugar algum com essa crônica, pois se eu levar a algum lugar só a vou limitar, e também, não estou com vontade, afinal, ainda que esteja feliz, estou no balanço, pendendo prum lado e pro outro, após escutar um pink floyd na rádio com meus amigos floydmaníacos seguido de pistols, meu, eu não quero mais nada, também se quisesse tanto assim, não teria sido uma noite tão formidável, e foi.
* homenagem aos bons amigos, que são bons amigos por agora, o que é muito mais do que qualquer um poderia me dar.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Os Lambe Bolas- Bruno Santana
Não entendemos de poesia.
Não conhecemos melodia.
Não compreendemos sua harmonia.
E o ponto é que não suportamos sua antipatia.
Enquanto estão fadados a lamber bolas de acadêmicos
Levavamos seus filhos ao êxtase
Enquanto entopem o nariz do pó dos livros
As overdoses nos faz heróis de seus filhos
Enfie sua arrogância no rabo
Antes meus amplificadores que suas dores
Antes minha loucura que seus horrores
Até concordo que sabe mais
entende mais, mas me digam
o que isso lhe tráz?
Não conhecemos melodia.
Não compreendemos sua harmonia.
E o ponto é que não suportamos sua antipatia.
Enquanto estão fadados a lamber bolas de acadêmicos
Levavamos seus filhos ao êxtase
Enquanto entopem o nariz do pó dos livros
As overdoses nos faz heróis de seus filhos
Enfie sua arrogância no rabo
Antes meus amplificadores que suas dores
Antes minha loucura que seus horrores
Até concordo que sabe mais
entende mais, mas me digam
o que isso lhe tráz?
O ralo- Rolando Vezzoni
Seu banheiro estava todo entupido, o chuveiro não mantinha o nível regular da água e vazava inundando o banheiro inteiro todo dia, sua privada demorava a descer a água, e não importava o que fizesse, continuava assim.
Embora as inundações o incomodassem bastante, não queria que ninguém tomasse conhecimento delas, odiava que entrassem no seu banheiro, afinal, era o lugar da sua privacidade, o único lugar que, ainda que não o estivesse usando de fato, podia trancar-se e ficar sozinho, sem interrupções externas para desorganizar sua cabeça.
Ele secava tudo com as toalhas e passava frio até se secar naturalmente no inverno, as toalhas continuavam molhadas no dia seguinte, ele continuava secando de todos os jeitos possíveis e se livrava do lixo das maneiras mais diversas e escrotas que encontrava.
fazia de tudo para mascarar a realidade porca de onde habitava.
Só ele saber já era o bastante, o mundo não tinha que vir e olhar, tentar mexer e julgar, apontar ou comentar o que quer que estivesse causando o entupimento. De uma forma ou de outra era bem apegado ao segredo da manutenção constante do seu entulho, afinal era seu entulho, ainda que não fosse bonito e lhe desse um contêiner de preocupações era a única coisa exclusivamente sua e particular, era um problema seu.
O banheiro dum indivíduo diz mais sobre ele do que qualquer outro algo.
No caso, o que mais poderia ele colocar sobre si mesmo, estando em meio aos conflitos e erros do adolescer, do que um reflexo escatológico da sua personalidade e desleixo deixado para trás?
O tampo passou, e acabou que descobriram o tal do problema.
Tentaram desentupir, falaram que era por causa do cabelo que ele lavava todo dia, das guimbas de cigarro que jogou na privada, ou algum pedaço de boneco que ele derrubou quando mais novo, etc... Em resumo: estava exposto, tinham ali uma chave para sua psique, uma chave que ele temia com todas as forças, não sabendo exatamente porque, mas simplesmente com medo de descobrir ele o que atrapalhava o funcionamento das coisas, o lixo que bloqueava suas artérias, a montante de porcarias que foram se acumulando ao longo dos anos da sua vida pessoal. Podia ser que não houvesse nada de relevante, mas não importava.
O desentupidor dos invasores não funcionou, o que lhe deu tempo para pensar que merda teria ele de fazer para resolver o problema.
Tentou pelo ralo do box, nada.
Tentou pela privada, nada.
Vasculhou o banheiro de madrugada em uma psicose incompreensível, tomado por curiosidade e medo irracionais. Em meio a essa pulsão, encontrou um terceiro ralo do qual havia se esquecido, um ralo bem grande cujo os parafusos estavam sujos, ou seja, que não havia sido aberto ainda. Abriu-o e olhou-o minunciosamente enquanto pensava no que faria.
Demorou algumas horas cuidando da situação, lavou, passou produtos, viu o que não queria vissem.
Aquilo tudo era uma escola, um laboratório de lembranças sujas, estava vendo algo seu, nojento, que nem ele se permitia ver, mas que agora tinha grande interesse.
No dia seguinte, falou com orgulho que o problema havia sido resolvido, revelou apenas que eram dejetos comuns que se acumularam pela má manutenção do encanamento, ou seja, que não havia nada para se ver ali.
Seu segredo estava seguro, se livrou do conteúdo do ralo sem testemunhas, e podia esperar que se acumulassem novas porcarias por ali, mais das suas queridas porcarias.
Ele sabe o que havia no seu ralo, mas isso é problema dele, e ninguém tem que saber nada sobre isso!
Embora as inundações o incomodassem bastante, não queria que ninguém tomasse conhecimento delas, odiava que entrassem no seu banheiro, afinal, era o lugar da sua privacidade, o único lugar que, ainda que não o estivesse usando de fato, podia trancar-se e ficar sozinho, sem interrupções externas para desorganizar sua cabeça.
Ele secava tudo com as toalhas e passava frio até se secar naturalmente no inverno, as toalhas continuavam molhadas no dia seguinte, ele continuava secando de todos os jeitos possíveis e se livrava do lixo das maneiras mais diversas e escrotas que encontrava.
fazia de tudo para mascarar a realidade porca de onde habitava.
Só ele saber já era o bastante, o mundo não tinha que vir e olhar, tentar mexer e julgar, apontar ou comentar o que quer que estivesse causando o entupimento. De uma forma ou de outra era bem apegado ao segredo da manutenção constante do seu entulho, afinal era seu entulho, ainda que não fosse bonito e lhe desse um contêiner de preocupações era a única coisa exclusivamente sua e particular, era um problema seu.
O banheiro dum indivíduo diz mais sobre ele do que qualquer outro algo.
No caso, o que mais poderia ele colocar sobre si mesmo, estando em meio aos conflitos e erros do adolescer, do que um reflexo escatológico da sua personalidade e desleixo deixado para trás?
O tampo passou, e acabou que descobriram o tal do problema.
Tentaram desentupir, falaram que era por causa do cabelo que ele lavava todo dia, das guimbas de cigarro que jogou na privada, ou algum pedaço de boneco que ele derrubou quando mais novo, etc... Em resumo: estava exposto, tinham ali uma chave para sua psique, uma chave que ele temia com todas as forças, não sabendo exatamente porque, mas simplesmente com medo de descobrir ele o que atrapalhava o funcionamento das coisas, o lixo que bloqueava suas artérias, a montante de porcarias que foram se acumulando ao longo dos anos da sua vida pessoal. Podia ser que não houvesse nada de relevante, mas não importava.
O desentupidor dos invasores não funcionou, o que lhe deu tempo para pensar que merda teria ele de fazer para resolver o problema.
Tentou pelo ralo do box, nada.
Tentou pela privada, nada.
Vasculhou o banheiro de madrugada em uma psicose incompreensível, tomado por curiosidade e medo irracionais. Em meio a essa pulsão, encontrou um terceiro ralo do qual havia se esquecido, um ralo bem grande cujo os parafusos estavam sujos, ou seja, que não havia sido aberto ainda. Abriu-o e olhou-o minunciosamente enquanto pensava no que faria.
Demorou algumas horas cuidando da situação, lavou, passou produtos, viu o que não queria vissem.
Aquilo tudo era uma escola, um laboratório de lembranças sujas, estava vendo algo seu, nojento, que nem ele se permitia ver, mas que agora tinha grande interesse.
No dia seguinte, falou com orgulho que o problema havia sido resolvido, revelou apenas que eram dejetos comuns que se acumularam pela má manutenção do encanamento, ou seja, que não havia nada para se ver ali.
Seu segredo estava seguro, se livrou do conteúdo do ralo sem testemunhas, e podia esperar que se acumulassem novas porcarias por ali, mais das suas queridas porcarias.
Ele sabe o que havia no seu ralo, mas isso é problema dele, e ninguém tem que saber nada sobre isso!
domingo, 12 de junho de 2011
bye, bye supermodel - Bruno Santana
Já dizia o velho grosso:
Não sou cachorro pra roer osso!
Não que eu ligue se você for magra ...
Fico puto é se for chata!
Cansei disso:
Eu de Whooper, Você de Salada.
Pára menina! Isso não dá em nada!
Não vê que ninguém suporta essa sua cara de nada?
Mais Verdade, menos Passarela
Mais Sorriso, menos Vaidade
Mais Carinho, menos Saudade
E menina: Fique Feliz se você é assim!
Você, hoje, é a top:
Ao menos, pra mim.
Não sou cachorro pra roer osso!
Não que eu ligue se você for magra ...
Fico puto é se for chata!
Cansei disso:
Eu de Whooper, Você de Salada.
Pára menina! Isso não dá em nada!
Não vê que ninguém suporta essa sua cara de nada?
Mais Verdade, menos Passarela
Mais Sorriso, menos Vaidade
Mais Carinho, menos Saudade
E menina: Fique Feliz se você é assim!
Você, hoje, é a top:
Ao menos, pra mim.
sábado, 11 de junho de 2011
fingindo de morto- Roberto Torrance
O meu tão apurado ver se desapura por tamanha acidez.
Os fatos tão reais são violentamente abstratos.
Hoje não procuro ver tudo assim tão crú, talvez...
até fantasiar algum sentido nesse mar de ratos.
Por um dia ou outro cegando minha lucidez,
nem lembrando dos homens e seus atos,
sentado estou esperando minha vez.
Os fatos tão reais são violentamente abstratos.
Hoje não procuro ver tudo assim tão crú, talvez...
até fantasiar algum sentido nesse mar de ratos.
Por um dia ou outro cegando minha lucidez,
nem lembrando dos homens e seus atos,
sentado estou esperando minha vez.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
o que há de ser hoje?- Rolando Vezzoni
Estou sujo, deveras porco, e tudo que eu quero é tomar um banho, um banho que tem que ser tomado.
O dia passou e me deixou novas cicatrizes psicológicas, essa mania de pensar demais nas horas em que o mundo nos pede pensar menos, cada coisa horrorosa que encontro escondida no sol entorpecente dum dia bonito, onde tudo é tão bom que nos massacra.
Entro em casa e pego um tanto de tudo que se tem para pegar, como o bacalhau de ontem com farofa e arroz, empapando de azeite para calar o estômago.
Como tudo enquanto subo as escadas num passo lento e perdido, paro e volto pois esqueci de soltar o cachorro, que sobe correndo escandalosamente, nosso cheiro é parecido com tem de ser, uma vez que dividimos o mesmo cômodo.
Banho, tenho que tomar banho, estou me sentido salgado, chego no quarto assim e arrumo o que tem de ser arrumado e estudo a física que tenho que estudar.
Ainda continuo porco, alucino moscas me rodeando e tento espantá-las nervosamente, ainda que saiba que não há mosca alguma para se espantar e coço minha cabeça de quem não toma banho a dezoito horas enquanto rio da irrefutável prova do meu cansaço me transformando como só ele pode.
Vou ao banheiro fazer... o que tem que ser feito, para me tornar uma vertente desconhecida da escatologia, o catarro da humanidade.
Ligo o chuveiro com a água fervendo e me levo com o vapor ofuscando as paredes brancas, sei que está de noite mas não há escuridão o suficiente, então coloco meus óculos escuros e apago a luz.
Me deito no chão frio do banheiro, sentindo a coluna desentortar aos poucos, não vendo nada, agora relaxando, esquecendo da sujeira há de ser lavada.
Não vejo nada, pois sei que não há nada que deva realmente ser visto, enrijeço-me
esperando o futuro, e dele o que há de ser, ainda sem sê-lo.
O dia passou e me deixou novas cicatrizes psicológicas, essa mania de pensar demais nas horas em que o mundo nos pede pensar menos, cada coisa horrorosa que encontro escondida no sol entorpecente dum dia bonito, onde tudo é tão bom que nos massacra.
Entro em casa e pego um tanto de tudo que se tem para pegar, como o bacalhau de ontem com farofa e arroz, empapando de azeite para calar o estômago.
Como tudo enquanto subo as escadas num passo lento e perdido, paro e volto pois esqueci de soltar o cachorro, que sobe correndo escandalosamente, nosso cheiro é parecido com tem de ser, uma vez que dividimos o mesmo cômodo.
Banho, tenho que tomar banho, estou me sentido salgado, chego no quarto assim e arrumo o que tem de ser arrumado e estudo a física que tenho que estudar.
Ainda continuo porco, alucino moscas me rodeando e tento espantá-las nervosamente, ainda que saiba que não há mosca alguma para se espantar e coço minha cabeça de quem não toma banho a dezoito horas enquanto rio da irrefutável prova do meu cansaço me transformando como só ele pode.
Vou ao banheiro fazer... o que tem que ser feito, para me tornar uma vertente desconhecida da escatologia, o catarro da humanidade.
Ligo o chuveiro com a água fervendo e me levo com o vapor ofuscando as paredes brancas, sei que está de noite mas não há escuridão o suficiente, então coloco meus óculos escuros e apago a luz.
Me deito no chão frio do banheiro, sentindo a coluna desentortar aos poucos, não vendo nada, agora relaxando, esquecendo da sujeira há de ser lavada.
Não vejo nada, pois sei que não há nada que deva realmente ser visto, enrijeço-me
esperando o futuro, e dele o que há de ser, ainda sem sê-lo.
domingo, 5 de junho de 2011
"Constipação" literária- Rolando Vezzoni
Tenho tentado escrever, sabe?
Nesse texto, que é mais uma lamúria,
expresso com pouca criatividade minha fúria.
Espero que essa seca de idéias acabe.
O título já diz tudo,
um monte de palavras em estrofe
que não tem nenhum conteúdo.
mas gostaria de dizer contudo,
que um poeta que não escreve sofre,
por isso coloco a ausência de assunto
nesse texto bastante absurdo.
Nesse texto, que é mais uma lamúria,
expresso com pouca criatividade minha fúria.
Espero que essa seca de idéias acabe.
O título já diz tudo,
um monte de palavras em estrofe
que não tem nenhum conteúdo.
mas gostaria de dizer contudo,
que um poeta que não escreve sofre,
por isso coloco a ausência de assunto
nesse texto bastante absurdo.
Puro e Amargo.(apresentação ao blog)- Bruno Santana
Puro e Amargo.
Como a vida é.
Puro e Amargo.
Como as pessoas deveriam ser.
Puro e Amargo.
Como o Amor que toma conta da alma dos loucos.
Puro e Amargo.
Para acordar todos os dias.
Puro e Amargo.
Pra acompanhar o cigarro, pra acompanhar a poesia.
Puro e Amargo.
Puro, Amargo e Escuro.
Como a vida é.
Puro e Amargo.
Como as pessoas deveriam ser.
Puro e Amargo.
Como o Amor que toma conta da alma dos loucos.
Puro e Amargo.
Para acordar todos os dias.
Puro e Amargo.
Pra acompanhar o cigarro, pra acompanhar a poesia.
Puro e Amargo.
Puro, Amargo e Escuro.
domingo, 22 de maio de 2011
medo e sonho- Roberto Torrance
Vendo um filme triste,
duma vida ou outra
fictícia, e real outrora.
Há um ou outro vicio que persiste,
esgueirando-se como uma cobra.
Pensa que os outros vivem agora
rindo com seus "paus" em riste,
enquanto os marginais se contentam com a sobra?
sabe como dói escárnio em forma de poluição sonora?
Pergunto-lhe se existe,
dentre todos os medos que já viste,
algum que como forma mais vil de tortura,
do que o de que alguém seu medo descubra?
o medo te mantém vivo e sentindo, de que tanto adianta temer então?
duma vida ou outra
fictícia, e real outrora.
Há um ou outro vicio que persiste,
esgueirando-se como uma cobra.
Pensa que os outros vivem agora
rindo com seus "paus" em riste,
enquanto os marginais se contentam com a sobra?
sabe como dói escárnio em forma de poluição sonora?
Pergunto-lhe se existe,
dentre todos os medos que já viste,
algum que como forma mais vil de tortura,
do que o de que alguém seu medo descubra?
o medo te mantém vivo e sentindo, de que tanto adianta temer então?
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Cerúleo- Rolando Vezzoni
Meu corpo dá-me um trabalho hercúleo,
dói, pesa e atrofia conforme o tempo passa.
Uma pena que sem ele eu nada faça,
dele não independe meu cerúleo...
(para não tacharem-me por pedante,
meu amigos demônios
já me passo adiante:
O cerúleo é onde ficam seus neurônios)*
*ou da cor de um céu azulado, o que não é o caso.
dói, pesa e atrofia conforme o tempo passa.
Uma pena que sem ele eu nada faça,
dele não independe meu cerúleo...
(para não tacharem-me por pedante,
meu amigos demônios
já me passo adiante:
O cerúleo é onde ficam seus neurônios)*
*ou da cor de um céu azulado, o que não é o caso.
a poça de óleo- Rolando Vezzoni
Em sua vida as grandes peripécias ocorriam quando estava andando sozinho, olhando a calçada nua e suja, desviando das linhas tão compenetradamente que chegava a esquecer-se do seu caminho, caminho que lhe norteava a um objetivo qualquer, e que esse objetivo (qualquer que seja) não o levava a lugar algum.
Andava, e deparou-se com uma poça de óleo, algo como um arco-íris derretido num trecho deprimente de asfalto úmido, e parou para contemplar aquele trecho de cor no meio daquela cidade chumbo.
Seu reflexo saltou aos olhos, era um sujeito com olheiras grandes e fisionomia desanimada, era um "homem metropolitano" e fazia parte daquela cidade, era tão pálido quanto os cães atropelados que os carros desaceleravam para desviar e seguir com suas vidas. Destoava em meio as pessoas felizes, e sabia disso, seu retrato no asfalto retirou-lhe da dormência na qual se escondia.
Esteve tempo demais naquela lixeira de hospital, cheia de fetos mortos e seringas infectadas com variedades de doenças, naquela latrina lotada de prédios e fumaça, explodindo de débeis mentais e cegos, agora tudo aquilo lhe incomodava mais que nunca, não se sabe o quão ruim até conhecer o diferente.
Ficou horas ali, defronte aquela aflição de água e óleo, ele e os outros. Seu pescoço latejava como nunca pela posição incômoda, cansou-se, entrou para a esquerda rumando o meio fio, viu o caminhão chegando, cerrou os olhos e contou: Um... Dois... Três...
Andava, e deparou-se com uma poça de óleo, algo como um arco-íris derretido num trecho deprimente de asfalto úmido, e parou para contemplar aquele trecho de cor no meio daquela cidade chumbo.
Seu reflexo saltou aos olhos, era um sujeito com olheiras grandes e fisionomia desanimada, era um "homem metropolitano" e fazia parte daquela cidade, era tão pálido quanto os cães atropelados que os carros desaceleravam para desviar e seguir com suas vidas. Destoava em meio as pessoas felizes, e sabia disso, seu retrato no asfalto retirou-lhe da dormência na qual se escondia.
Esteve tempo demais naquela lixeira de hospital, cheia de fetos mortos e seringas infectadas com variedades de doenças, naquela latrina lotada de prédios e fumaça, explodindo de débeis mentais e cegos, agora tudo aquilo lhe incomodava mais que nunca, não se sabe o quão ruim até conhecer o diferente.
Ficou horas ali, defronte aquela aflição de água e óleo, ele e os outros. Seu pescoço latejava como nunca pela posição incômoda, cansou-se, entrou para a esquerda rumando o meio fio, viu o caminhão chegando, cerrou os olhos e contou: Um... Dois... Três...
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Uma poesia leva mil elefantes.- Rolando Vezzoni
Uma poesia leva mil elefantes,
cinzas, devastadores e elegantes.
tento escrevê-la num tom rouco,
ou, se uso palavras muito belas e galantes,
sempre escondo um pedido de socorro.
Uma poesia leva mil elefantes,
no meu bolso levo esse animais tão fascinantes.
A minha alma jaz nas poesias vacilantes.
A vida vivo em verso, parágrafos eu corro.
Uma poesia leva mil elefantes,
devagar lembra tudo que veio antes.
O bom escárnio pelas coisas importantes.
Que me lembram que depois de cada dia vivo, eu morro.
cinzas, devastadores e elegantes.
tento escrevê-la num tom rouco,
ou, se uso palavras muito belas e galantes,
sempre escondo um pedido de socorro.
Uma poesia leva mil elefantes,
no meu bolso levo esse animais tão fascinantes.
A minha alma jaz nas poesias vacilantes.
A vida vivo em verso, parágrafos eu corro.
Uma poesia leva mil elefantes,
devagar lembra tudo que veio antes.
O bom escárnio pelas coisas importantes.
Que me lembram que depois de cada dia vivo, eu morro.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
o coração bate mais devagar no peito de um porco.- Rolando Vezzoni
No mundo despendendo interesse discreto,
amiudando toda perda de tempo cretina.
Há um coração de homem em mim que sou um porco.
Um porco cardíaco e preguiçoso olhando o teto,
sabendo não ser tão fraco,
mas não aguentando a luz me tocando a retina.
As vezes evitando outros por perto,
mas só quando estou meio morto
ou de saco cheio da vida e da rotina.
Sabe? O coração bate mais devagar no peito de um porco.
amiudando toda perda de tempo cretina.
Há um coração de homem em mim que sou um porco.
Um porco cardíaco e preguiçoso olhando o teto,
sabendo não ser tão fraco,
mas não aguentando a luz me tocando a retina.
As vezes evitando outros por perto,
mas só quando estou meio morto
ou de saco cheio da vida e da rotina.
Sabe? O coração bate mais devagar no peito de um porco.
marginal?- Francisco Knulp
Ele tendo visto o que se havia para ver,
viu um mundo todo torto,
por querer tanto chorar, chegou a rir.
Não deu para entender,
a razão desse mundo ser todo escroto,
e dalí apenas queria, acima de tudo, sair.
Pendeu para a esquerda da ponte,
antes de ele cair.
Com suas costas roçando na areia e seu rosto no mar,
naquela margem de tudo conheceu um monte,
monte de vidas outras que tentaram fugir,
entendeu que nada fácil será com sí mesmo lidar.
Ele é afinal,
um marginal.
viu um mundo todo torto,
por querer tanto chorar, chegou a rir.
Não deu para entender,
a razão desse mundo ser todo escroto,
e dalí apenas queria, acima de tudo, sair.
Pendeu para a esquerda da ponte,
antes de ele cair.
Com suas costas roçando na areia e seu rosto no mar,
naquela margem de tudo conheceu um monte,
monte de vidas outras que tentaram fugir,
entendeu que nada fácil será com sí mesmo lidar.
Ele é afinal,
um marginal.
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